Lapinha da Serra

Descanso em Lapinha da Serra

Essa não foi uma viagem com muita emoção. Foi mais um retiro longe da civilização pra descansar e curtir muuuita preguiça!

Roteiro: Belo Horizonte > Lapinha da Serra
Distância total: 300km
Data: Outubro/2014

A ida

Levamos 3h de moto de Belo Horizonte até Lapinha da Serra, passando por Lagoa Santa, Serra do Cipó e finalmente Santana do Riacho, a cidade mais próxima.

A vista da estrada entre Serra do Cipó e Santana do Riacho é maravilhosa, pelo alto da serra, no meio do nada (e com isso eu quero dizer que: vimos um ou outro carro passando, as casas eram bem longe da estrada e eu estava meio desesperada de acontecer alguma coisa e a gente ficar abandonado ali pra sempre. Ninguém nunca assistiu Viagem Maldita?).

Estrada entre Serra do Cipó e Santana do Riacho
Estrada entre Serra do Cipó e Santana do Riacho

A estrada é asfaltada até Santana do Riacho, e depois são 12km de estrada de chão até Lapinha da Serra (estrada boa).

Estrada entre Lapinha da Serra e Santana do Riacho
Estrada entre Lapinha da Serra e Santana do Riacho

Uma coisa que notamos foi a diferença de vegetação nessa região pra outras que fomos, com árvores de cerrado retorcidas e sem muita vegetação (saudades sombras pelo caminho…).

Almoçamos em Santana do Riacho no restaurante e pousada do Jacaré. Self-service à vontade com comida simples (arroz, salada e feijoada) por R$ 10. Obs: não sabemos se era realmente à vontade, porque o Adriano pediu pra dona pra repetir como se estivesse em casa! Mas o prejuízo dele foi descontado no meu prato, que fiquei no arroz, salada e linguiças catadas da feijoada.

Centro de Santana do Riacho
Centro de Santana do Riacho

O povoado de Lapinha da Serra

Lapinha da Serra fica aos pés do Pico do Breu, ponto mais alto da Serra do Cipó. Por toda a estrada você consegue enxergar a Serra do Espinhaço e, entrando na cidade, você já fica de cara com o paredão enorme de pedra. Eu achei meio claustrofóbico morar em um lugar assim, porque você literalmente abre a janela e tem uma parede imponente gigante lá na sua frente. Pra quem assiste Under The Dome, deve ser a mesma sensação!

Centro de Lapinha da Serra
Centro de Lapinha da Serra

A represa da usina Coronel Américo Teixeira fica entre a serra e a cidade. São duas lagoas e, na mais próxima, que fica praticamente no final da rua principal, é permitido nadar e andar de caiaque. Mas é CLARO que não nadei e não deixei o Adriano entrar, e a xistose? E os afogamentos em águas paradas? E a areia movediça? (antes que me acusem de calúnia contra a cidade, tinha gente nadando na lagoa sim, mas isso não é meu divertimento preferido =P).

Lagoa de Lapinha da Serra
Lagoa de Lapinha da Serra

A maioria das casas parece ser de aluguel. Tem uma igrejinha, restaurantes e bares que vimos com pouquíssimo movimento (mas não saímos à noite).

Bar do Bode Marley :P
Bar do Bode Marley :P

As cachoeiras

As únicas que visitamos foram as que ficam dentro da cidade mesmo, do córrego Boqueirão. As quedas estavam completamente secas, mas tinham alguns poços que o pessoal estava aproveitando.

Primeiro poço do Boqueirão: a água mais bonita que já vi em uma cachoeira! :O
Primeiro poço do Boqueirão: a água mais bonita que já vi em uma cachoeira! :O
Nessa água você consegue ver QUALQUER cobra, sapo, bicho etc que esteja no fundo :P
Nessa água você consegue ver QUALQUER cobra, sapo, bicho etc que esteja no fundo :P
Poço do Pulo no córrego Boqueirão
Poço do Pulo no córrego Boqueirão

Subimos por uma trilha (que não é trilha, veja bem, é apenas um amontoado de pedras com vestígios de trilha) até ter uma vista da cidade. Como cobras e outros bichinhos adoram se esconder em pedras, principalmente perto da água, imagina minha diversão de estar prestes a ver um desses seres grudado na minha canela?

Não subimos até o Pico da Lapinha, que dizem ter uma vista de 360° da cidade e da Serra do Cipó.

Vista da lagoa e povoado de Lapinha da Serra
Vista da lagoa e povoado de Lapinha da Serra
A subida seguindo o curso do córrego do Boqueirão
A subida seguindo o curso do córrego do Boqueirão

Tentamos ir pra Cachoeira do Lajeado, que era a mais perto pra ir a pé, mas eram 5km de ida e não tinha absolutamente NINGUÉM indo pra lá.

A nativa nos disse: “Fica a mais ou menos 1:30h daqui, você vai seguindo as porteiras, não tem como errar”.

Mas, como é nativo E mineiro, imaginei que fossem umas 3h de caminhada. Não tinha UMA SOMBRA no caminho, que era no meio de um pasto, por isso várias porteiras. Na metade do caminho (que significou uns 40min) desisti de ir com medo dos clássicos sequestradores-assaltantes-etc.  A cidade toda estava bem vazia, na verdade, e os turistas que tinham estavam indo pra cachoeira do Boqueirão (não sei como couberam dezenas deles no único poço que tinha água).

Aqui tem um trechinho da nossa viagem, incluindo o caminho pra cachoeira de Lajeado:

Ah, também reparamos que o pessoal não era farofeiro. Não sei se é porque tem várias placas de que é proibido levar churrasqueira, isopor e bebidas pras cachoeiras (tinha até uma escrito “Farofeiros não!”), mas realmente ninguém estava levando nada. Tudo estava bem limpinho, acho que o lugar não foi descoberto ainda =P

As outras cachoeiras que olhamos – do Bicame, do Rapel e Paraíso – também eram bem distantes a pé e acabamos não indo.

Onde ficamos

Alugamos um chalé conhecido como “Chalés da Jac“. O lugar é novo, super bem decorado, adoramos! A única coisa que sentimos falta (o Adriano muito, extremamente mais do que eu) foi um ventilador. Na noite que esfriou um pouco os mosquitos atacaram, então é bom levar repelente. A vista do chalé é pra serra, muito bonita mesmo.

Chalé da Jac
Chalé da Jac

A volta

Resumindo, foi a chuva mais longa que pegamos de moto. É claro que não estávamos 100% preparados, mas a viagem é COM EMOÇÃO, né?!

Derrota chegando em casa :(
Derrota chegando em casa… cadê classe? :P
Vista panorâmica da Serra do Espinhaço em Lapinha da Serra
Vista panorâmica da Serra do Espinhaço em Lapinha da Serra

Dicas:

  • Lá não pega nenhum celular, mas tem orelhões na cidade (quando fomos, estavam funcionando, mas parece que não é sempre assim);
  • Leve comida. Vimos duas mercearias na cidade, mas as coisas são bem caras (chegamos a pagar R$ 5 em uma água de 1,5L);
  • A noite ventou MUITO, mas estava fresco, não frio.

rosi

Adora viajar, fotografar e escrever. Nos últimos anos aprendeu a gostar de mato, sol e desapegar de malas gigantes. Dramática, mas não tão fresca quanto parece =P