Imersão no Paraíso: um fim de semana longe da cidade

Esse post é um pouco diferente: é o relato de uma amiga, a Lorena, sobre um fim de semana em que viajamos juntas pra roça. Já que ela escreve muito bem, perguntei se ela gostaria de escrever um post,  porque achei que a experiência dela poderia servir de inspiração para outras pessoas. Depois de ler o texto dela, tive certeza! Venha se inspirar para buscar mais dias desacelerados e longe da cidade também.

Combinando a viagem

Há tempos Rozinha vinha me convidando para visitá-la, e em maio prometi que assim que entrasse de férias da faculdade iria combinar com Rosi um final de semana para irmos juntas. Junho estava quase no fim, e em meio a uma conversa com Rosi, ela me perguntou se eu ainda gostaria de ir e qual seria a melhor data. Após responder que sim, num piscar de olhos já havia um grupo chamado “Casa da Rozi” no Whatsapp com uma Rozinha toda empolgada falando que estava morrendo de felicidade porque iríamos visitá-la, dizendo para levarmos muitas roupas de frio e perguntando o que queríamos e gostaríamos de comer, e principalmente, o que não gostamos de comer para ela nem pensar em fazer.

No último sábado de julho, sai de casa bem cedo para encontrar com Rosi. Levava na mala roupas de frio (como advertido), além da curiosidade e ansiedade. A ansiedade era porque não via Rozinha há praticamente um ano, e a curiosidade era de saber como viver na roça; pois em meus 22 anos de idade, eu nunca havia ido em uma. Inclusive, inclui na mala batata baroa, chocolate e pão de sal, pois antes de irmos perguntamos se Rozinha gostaria que levássemos algo de comer que ela não encontra em Angueretá. Fiquei surpresa quando ela respondeu o que dava “água na boca só de pensar” (como ela mesma disse), pois é algo que como praticamente todos os dias.

Rosi e eu nos encontramos às 7h30m pontualmente, e para embalar a viagem fiz uma playlist que foi de Lana Del Rey, Kate Nash a Pink Flody e AC/DC. Foi em torno de 30 músicas cantaroladas, entre elas Linger, Enjoy the silence e Do the hippogriff.

A chegada no Sítio Paraíso

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Assim que avistei a terra avermelhada já sabia que estávamos chegando. Abri a primeira porteira e assim que estávamos chegando na segunda, avistei uma Rozinha sorrindo e dizendo: “Ah, Lorena, que saudade! Nossa, não acredito que você tá aqui. Rosi, que bom que vieram!”. Recebi o abraço que sempre esteve comigo quando precisava quando ela morava em BH, e isso foi reconfortante e acolhedor. Rozinha é um ser humano especial, e não existe adjetivos o suficiente para descrevê-la. <3

Ela estava muito feliz e agitada em nos ver, pois saiu mostrando os cachorros, a cozinha, oferecendo banana, dizendo que estava limpando tudo para nossa chegada, perguntando qual chá queríamos e o que gostaríamos para o almoço, mostrando onde ficaríamos, colocando o melhor pão de queijo do mundo para assar. Muita coisa ao mesmo tempo!!! Por fim ela se sentou e apenas sorriu. Em seguida colocamos todos os assuntos em dia em meio a risadas, pão de queijo e chá de hortelã.

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Aproveitando a estadia

Enquanto conversávamos pegamos a lenha, passamos pela horta e colhemos as verduras e especiarias. Fomos dividindo as tarefas e enquanto Rozinha fazia o frango, arroz e feijão, eu colhi as carambolas para colocar na salada de tomate e alface, e Rosi fazia suco de graviola. E nesse momento todos ficaram surpresos, principalmente o André, esposo da Rozinha, quando eu disse que nunca havia comido e tomado suco dessa fruta. Todos ficaram me olhando com a maior cara de expectativa enquanto experimentava. De início achei bem diferente, mas é muito bom. :)

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O almoço estava delicioso, além de ter tido um tempero diferente: foi feito no fogão a lenha e por todos nós.

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Acabamos de almoçar, arrumamos a cozinha e esperamos um tempinho para irmos na mercearia comprar algumas coisas que Rozinha precisava. Nesse meio tempo ela já estava pensando o que faríamos para comermos quando voltássemos! :o Fomos na mercearia de carro, e nesse momento pude ver a distância de um sítio para o outro, a simplicidade, as casas, e o carinho que todo mundo tem com a Rozinha. Era ela passar, que quem a visse a cumprimentava.

Ah! Decidimos fazer cachorro quente enquanto estávamos na mercearia, então compramos batata palha e salsicha. Se já achamos caro os alimentos aqui na cidade, espere ir até a mercearias de lugares mais afastados. Percebi que os produtos de lá, geralmente, é quase sempre o dobro do que compramos aqui! :o Aquela típica frase me veio na cabeça: “não se deve reclamar de barriga cheia…”. O mais legal é ouvir as maneiras que Rozinha e André tentam reverter essa situação. Produção caseira e aproveitar tudo dos alimentos (até o que nós, da cidade, jogamos fora) são exemplos.

Voltamos para o sítio e o céu estava maravilhoso. Olhei para o lado e vi o ipê, para o outro, Rosi e Rozinha entrando para dentro da casa. Percebi que fazia muito tempo que não via um céu tão bonito, que não ouvia o barulho de pessoas falando ao fundo, o barulho dos carros, buzina. Era tudo tão calmo, tão bonito com os animais que fiquei por ali. Por um instante eu queria sentir e ver aquele céu todos os dias.

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Entrei e as “Rosis” estavam preparando os ingredientes para fazer bolo. Nesse momento eu fiquei tensa. O que eu faria? Já havia dito para elas, que são muito boas na cozinha, que não sou muito habilidosa. Fiquei encarregada de ser a assistente. Ufa! :p

Rozinha fez bolo de laranja com casca, e Rosi o bolo de chocolate com maracujá que havia prometido para Rozinha e André. Enquanto isso eu fiquei lavando as vasilhas e ajudando no que elas precisavam.

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Tínhamos, de início, a ilusão de que comeríamos o cachorro quente e depois experimentaríamos o bolo. Mas depois de comermos decidimos que o bolo ficaria para o café da manhã. Ufa! Eu não comia tanto em um dia desde quando visitava a casa da minha avó.

Quando acordei, André e Rozinha já estavam a todo vapor. Os animais estavam sendo cuidados, o café pronto e a água quente esperando apenas eu e Rosi decidirmos qual seria o sabor de nosso chá.

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Após tomarmos café, decidimos caminhar até o Rio Paraopeba. Fomos todos nós, André, Rozinha, Rosi, eu e o Sóren, cachorro que mata a Rozinha de vergonha! :p Quando saímos de casa estava um pouco frio, era por volta das 9h30m.

Quando voltamos, eu estava morrendo de calor, pois pra não pegar sol fui de blusa de frio. Ainda bem que levamos água, pois o ar estava bem seco. De novo: não tenho palavras para descrever o céu. Estava lindo!

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Chegamos e colocamos a mão na massa, literalmente! Decidimos fazer macarrão. Eu fiquei responsável por fazer a primeira etapa do molho de tomate, e pelo suco, que foi limonada suíça. Rosi pela massa, e Rozinha fez a segunda etapa, tanto do molho quanto da massa no fogão a lenha. De novo, o processo de arrumar a mesa, de fazermos a comida todas juntas, foi diferente.

Com a correria do dia a dia, de almoçar marmita todos os dias da semana, de apenas poder comer comida “fresca”, mas nem sempre com minha família, nos finais de semana, e com todo o tempo cronometrado; fez do momento especial. Tirar finais de semana para se desligar de tudo é necessário.

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Quando acabamos o almoço e de arrumar a cozinha, percebi que a viagem já estava chegando ao fim. Nos arrumamos para vir embora, e é claro que Rozinha fez uma marmita de cada comida para trazermos. Deu muda de chá, deu cana, bucha, banana, carambola, e muito, muito carinho. Nos despedimos com a promessa de repetirmos a experiência de novo e muitas vezes.

De volta à rotina

Na volta, Rosi e eu conversamos (com a playlist rolando ao fundo de novo) e percebemos o tanto de coisas que fizemos e que não ficamos cansadas. Constatei que tive a sensação do tempo passar diferente.Uma hora na casa da Rozinha não passou voando, nem arrastando; foi como se eu realmente estivesse aproveitando e descansando em cada segundo.

A calmaria foi acabando a medida que entrávamos na cidade e encontrávamos o rotineiro barulho e ar poluído. Admirei ainda mais a coragem da Rozinha de trocar a vida na cidade para ir para a roça. Poder ver de perto como é a vida dela e do André foi muito bom. Aliás, em breve, todos poderão ler mais sobre como é viver na roça, pois a Rozinha está criando um blog para contar todas as suas experiências, as receitas, como cuidar dos animais e as curiosidades.

Por Lorena Camilo
Fotos: Lorena, Rosi e Rozinha