Bahia, Ilhéus e Itacaré

3.500km em 20 dias – indo de moto pra Bahia!

Decidimos nossas férias meio de brincadeira, meio de verdade.

“-O que vamos fazer nas férias?
-Vamos de moto pra Bahia? =P
-Ok.”

Levamos a sério e, em pouco mais de um mês, definimos o roteiro, preparamos a bagagem, preparamos as famílias psicologicamente e partimos. Vamos contar um pouco de como foi, começando com os preparativos!

Roteiro

Distância total:  3.500 km
Data da ida: 11/01/14
Data da volta: 30/01/14

PRÉ-VIAGEM: como foi o planejamento X realidade

Foi nossa primeira viagem longa de moto e foi assim que nos organizamos:

 

  •  Definir um orçamento pra viagem

Planejamento:
Definimos quanto cada um iria gastar e quanto poderíamos gastar por dia. Já sabíamos mais ou menos quanto de gasolina e hospedagem ia dar, os gastos mais pesados.

Realidade:
Gastamos um pouco a mais que o previsto só, mas não tivemos “miséria” em praticamente nada durante a viagem (como gastos com passeios). Fomos para praias no meio do mato, ficamos em cidades sem banco, e por isso a dica é nunca ficar sem dinheiro vivo pra não passar aperto.

  • Criar uma planilha

Planejamento:
Ajuda demais para controlar a rota e os lugares que queríamos conhecer. Nela colocamos todos os dias da viagem, onde iríamos dormir, endereços de pousadas, atrações turísticas, mapas… praticamente um cronograma dos 20 dias.

Realidade:
Além das dicas que levamos,  fomos em alguns lugares indicados por outros turistas e nativos e pegamos mais dicas sobre estradas boas/ruins, horários de passeios, lugares mais legais…

  • Definir a rota da viagem

Planejamento:
Pegamos um mapa e procuramos informações sobre TODAS as cidades da costa da Bahia até Itacaré, destino final, olhando o que tinha pra fazer, pousadas, como era a estrada pra chegar, as distâncias… só depois escolhemos os lugares onde realmente iríamos passar e dormir, o que acabaram sendo 2 cidades na ida e 3 da volta. Queríamos andar no máximo 400km por dia e aproveitar para curtir algumas praias pelo caminho.

Realidade:
No primeiro dia, andamos 700 km. MUITO mais do que nós dois estávamos acostumados, e o resultado foi um cansaço infinito bem antes de chegar no destino. Em todos os outros dias, andamos no máximo 400 km por dia e foi a quantidade exata que aguentávamos.

Deixamos de ir em alguns lugares porque estávamos sozinhos e não conhecíamos as estradas (ou ficamos sabendo que estavam muito ruins). Como boa neurótica que sou, também pensei em assaltos, passar mal no meio do nada, moto estragar e não ter sinal de celular nem de pessoas, canibais, sequestros, picadas de bichos exóticos e coisas piores e não quis ir.

Mapa de Minas à Bahia

  • Mapas

Planejamento:
Sabíamos que nem sempre iria ter 3G ou o GPS ia encontrar o caminho no meio do nada. Levamos mapa impresso e também anotamos as principais cidades por onde passaríamos, assim a gente poderia seguir pelas placas pra saber se estávamos no rumo certo.

Realidade:
Usamos muito pouco o GPS, só quando surgia dúvida em algum trevo ou pra passar dentro de alguma cidade maior. Na maioria das vezes, pedir informações pras pessoas foi mais fácil e rápido, principalmente dentro de cidades.

  • Pousadas

Planejamento:
Decidimos não reservar nenhuma pousada, pois a média das diárias que vimos estava muito maior que nosso orçamento.

Realidade
A pior parte de não reservar antes foi chegar super cansado em um lugar e ficar andando toda a cidade procurando o melhor preço. O que a gente faria da próxima vez é reservar pelo menos aquelas das cidades onde já sabemos que vamos chegar tarde/cansados.
Em algumas, reservando na hora, conseguimos desconto e preço bem em conta. Praticamente só dormíamos nelas, então não nos importamos muito com o lugar ser “chique”. Nossa ordem de perguntas era “Tem ar condicionado?! Chuveiro quente?! Quanto é a diária?” =P

Nossa média gasta por diária foi de R$ 90, a mais barata sendo R$ 80 e a mais cara R$ 100.

  • Bagagem

Planejamento:
Adriano comprou os baús laterais da moto pra essa viagem. Acabou que cada um usou um baú lateral e dividimos o grande entre nossas roupas, ferramentas e comida.

Realidade:
Não passamos aperto hora nenhuma com falta de espaço para levar as coisas e voltamos pra casa com roupas que nem foram usadas! Um choque pra mim :O

  • Roupas pra andar de moto

Planejamento:
Levamos só jaqueta porque não tínhamos espaço pra outras coisas como roupa de chuva.

Realidade:
Não pegamos frio, no máximo um tempo mais fresco. Pegamos alguns chuviscos, mas achamos bom porque estava muito quente e nossas roupas secavam rapidinho. Fiquei feliz de estar pegando minha primeira chuva de moto, mas a felicidade acabou quando pegamos um temporal na volta e ficamos ensopados, numa estrada sem nenhum lugar pra parar. Eu nem sabia se queria chorar quando sentia a água escorrendo pra dentro da jaqueta, do tênis e empoçando no banco entre Adriano e eu.

Pegando chuva de moto

  •  Movimento nas estradas

Planejamento
Nem pensamos no dia da semana pra ir ou voltar, mas saímos às 5h de Belo Horizonte pra evitar tanto trânsito.

Realidade
Saímos daqui num sábado e voltamos numa quinta, e nos dois dias o movimento estava muito grande. Nas estradas da Bahia, saíamos cedo por causa do calor (impossível andar no sol de 12h) e do movimento, e foi até tranquilo (tirando os caminhões andando nas retas a 140 km/h). =P
O bom de viajar durante a semana é que tem mais recursos e as pousadas são mais baratas.
Pra resumir a situação das estradas, as da Bahia estão maravilhosas e as de MG uma desgraça. Então lá a viagem rendeu muuuuito mais (também por causa das retas imensas).

Reta na BR 101, Bahia

  • Alimentação

Planejamento
Levamos alguns lanches para o dia da viagem.

Realidade
Sempre tínhamos comida e água no baú! Além de economizar (principalmente na água, que já comprávamos de 2L porque estava muito quente), evitamos comer comidas pesadas de lanchonetes estranhas.

Pão com mortadela =P

  • Beleza e classe durante a viagem

Pegadinha, isso não existe, HÁ! Depois de alguns dias chegando nos lugares com a roupa cheia de poeira/sujeira da estrada, com nós nos cabelos desgrenhados pelo capacete e pelo vento, vestindo jaqueta com saída de praia por baixo, calçando tênis no meio da areia, comendo pão com mortadela na beira da estrada e muito mais, a gente vê que o que vale é o amor. s2

E foi basicamente assim que nossa viagem deu muito certo, fomos e voltamos sem problemas e com muita coisa pra contar. Claro que andamos só de carro por um mês depois, mas o que conta é a aventura, né?! :)